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quinta-feira, 10 de outubro de 2013

JUDAS 

estava ali sem saber o momento certo de agir
tudo bem planejado, pequenos detalhes pro fim
mas já era hora
você já sabia
é
era a última ceia e o sangue nas veias queimou
no momento em que você repartindo o pão me olhou
e aceitou com amor
sem querer saber o valor
e saí dali
com os bolsos pesados e cheios de morte
precisava cumprir meu chamado sem contar com a sorte
pois eu era um traidor
eu nasci para ser o traidor
e voltei como um cego
guiado por toda mentira
foi um beijo no rosto a nossa despedida
e corri para os braços da morte
eu perdi, ambição foi mais forte
e eu mesmo comprei minha condenação
e ao jogar as trinta moedas no chão
eu queria poder voltar atrás
mas já tinha fechado negócio
tarde demais

By Leanddro Barbosa

MUDO, CEGO. SURDO e CÚMPLICES


Em uma festa sangrenta
onde celebram a liberdade de assassinos e servem cabeças de profetas em bandejas de ouro.
A mesa farta de hipocrisia e negligência.
Enquanto dançam e cantam um repertório de acordes frios.
- "vá! Esconda os leprosos para não contaminar sua santidade.
Evitem suas mulheres em dias de verdades"
O forte grita e o fraco nasceu pra ser mudo
- vou arrancar seus olhos, você não quer enxergar.
Sirva-se!
Ouça!
Bêba!
Eis o conhecimento em sua taça.
Embriague-se e talvez ouvirá a resposta:
evite-o e, com certeza, na próxima "festa" estará do lado de fora,
esperando a hora do end,
com vassoura e pano de chão, pra limpar a vergonha dos reis e sujar suas mãos de sangue...
E descobrir-se... cúmplice!
Mudo, cego, surdo e... Cúmplice.
Escorrendo no rosto e caindo no chão o seu suor de cúmplice.

By Leanddro Barbosa

O ENCONTRO COM BARTIMEU


Eu ontem vi bartimeu perdido na rua.
está cego de novo, com os olhos vedados, no meio do povo.
Querendo esquecer de tudo o que viu. Lembrando do dia em ouviu a ordem; "veja"!
"eu bem podia me passar por surdo
mas eu mesmo chamei, 
bem alto gritei
Senhor eu quero enxergar

e descobri que aqui fora longe da escuridão
quem tem visão não quer ou não pode ver a verdade
me escondi e aprendi a me fingir de cego
em meio a solidão
de enxergar a obscuridade

By Leanddro Barbosa

Medo

Meu amigo Marcelo vivia com medo do "Mesmo".
Com oito anos leu em uma placa;
antes de entrar no elevador certifique-se de que o "mesmo" se encontra nesse andar.